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No início, havia apenas uma planície extensa, cercada por colinas que se tingiam de dourado ao pôr do sol. Um rio sinuoso cortava a terra, suas águas claras refletindo o céu como um espelho. Os primeiros viajantes chegaram guiados por histórias de uma nascente milagrosa, cujo fluxo jamais diminuía, nem mesmo nos verões mais rigorosos.

Eram famílias cansadas de um longo êxodo. Haviam deixado para trás campos inférteis e invernos implacáveis, carregando nas costas sementes, ferramentas e esperanças. Ao encontrar aquele vale, sentiram que a terra lhes falava: o solo fértil exalava vida, o vento trazia perfume de flores silvestres, e as colinas os protegiam como braços maternos.

O primeiro abrigo foi erguido com madeira retirada das matas próximas. Depois vieram outros, e logo se formou um círculo de casas voltadas para uma grande fogueira central, onde todos se reuniam para celebrar colheitas, partilhar histórias e decidir os rumos da comunidade.

Uma ponte de pedra foi construída sobre o rio, ligando as duas margens e selando a união entre aqueles que se estabeleceram ali. Com o tempo, campos cultivados se estenderam até o horizonte, e a pequena vila se transformou em um ponto de encontro para comerciantes, viajantes e artesãos vindos de terras distantes.

Os mais velhos diziam que aquele lugar não fora encontrado por acaso — fora escolhido, como se a própria terra houvesse aguardado séculos até que seus guardiões chegassem.

Assim, geração após geração, o povo ali permaneceu, não apenas construindo casas e ruas, mas tecendo uma identidade. E embora o nome que deram à cidade mudasse com os séculos, a história de sua origem continuou viva, passada de boca em boca, como um juramento silencioso de nunca esquecer o primeiro dia em que decidiram chamar aquele vale de lar.

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